quarta-feira, 21 de setembro de 2011

FREGUESIA DE SALZEDAS




REGIÃO                   NORTE
SUB REGIÃO            DOURO
DISTRITO                 VISEU
CIDADE                               TAROUCA
FREGUESIA                     SALZEDAS


Brasão: 

Escudo de azul, banda enxaquetada de prata e vermelho de três tiras, acompanhada de dois cachos de uvas de ouro; campanha ondeada e faixada de prata e azul. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com a legenda a negro: «SALZEDAS»


Bandeira: 

Esquartelada de vermelho e branco. Cordão e borlas de prata e vermelho. Haste e lança de ouro.



Selo: 

Nos termos da Lei, com a legenda: «Junta de Freguesia de Salzedas - Tarouca».

HISTORIA
Salzedas é uma freguesia portuguesa do concelho de Tarouca, com 8,92 km² de área e 861 habitantes (2001), situada na margem direita do Rio varosa. Densidade: 96,5 hab/km².
Distando cerca de 10 Km de Tarouca (sede do concelho), a freguesia de Salzedas é formada pelas povoações de Cortegada, Meixedo, Murganheira, Covais de Cima, Salzedas (Vila) e Vila Pouca

Na génese da história de Salzedas está o lugar a que hoje se dá o nome de abadia Velha. A Salzedas que hoje conhecemos tinha então o nome de Argeriz..









A sua origem remonta ao século XII, tendo aí sido construído o Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Salzedas por ordem de D. Teresa Afonso, esposa de Egas Moniz. Chegou a ser um dos maiores e mais ricos mosteiros portugueses, detentor de um biblioteca notável.

Actualmente representa um ponto turistico onde se destaca o Mosteiro (monumento nacional), a antiga Judiaria (conjunto de casas da época medieval), os miradouros/Locais de Culto de Santa Bárbara e Senhora da Piedade e a ponte Românica de Vila Pouca, situada num dos locais mais pitorescos e recatados do rio Varosa.



Os grandes trabalhos agrícolas desta região prendem-se sobretudo com os sabugueiros, a vitivinicultura, a fruta e a azeitona.

Qualquer um destes trabalhos implica um grande movimento social à volta dos mesmos. Outrora esses trabalhos eram feitos com muita gente que dependiam na sua subsistência desses mesmos trabalhos. Hoje a escassez de mão de obra faz com que esses mesmos trabalhos se desenvolvam numa base de trocas de trabalhos entre famílias. 
Com famílias menos numerosas e com a grande mobilidade das pessoas os trabalhos agrícolas vão-se reduzindo cada vez mais. A grande parte da agricultura que é feita nos nossos dias fica reservada para uma meia dúzia de pessoas que sempre viveram da agricultura, ou então para os fins de semana. O sabugueiro é uma árvore de pequeno porte que se torna em termos agrícolas e económicos numa grande fonte de riqueza para toda esta gente que labuta no campo de sol a sol. 




O sabugueiro é desde a antiguidade definido como o guardião da saúde. Ao que me é dado a conhecer, o primeiro registo do uso desta planta no meio medicinal aparece nos escritos de Hipócrates, já lá vão 2500 anos.

Ao percorrermos os meios rurais é muito natural para as gentes simples considerarem o sabugueiro como uma autêntica “botica viva”. Isto deve-se ao facto de quase todas as partes desta árvore/arbusto serem indicadas para múltiplos usos. Um pouco por todo o lado esta arvore/arbusto é extremamente querida e considerada, quer por características medicinais ou mesmo lendárias. Os espanhóis, mais propriamente os catalães chama-lhe "árvore boa"; Os Açoreanos puseram-lhe o nome de "chá do bem fazer" à infusão que se faz com a flor seca do sabugueiro.As flores contêm glúcidos, ácidos orgânicos, glucósidos, flavonóides, aminas, vitamina C, etc. As flores têm também taninos o que lhes conferem propriedades diaforéticas, isto é estimulam a sudação, sendo indicadas para combater estados febris.



 O efeito diaforético parece restringido apenas às flores e não a outras partes da planta. 


Quando se emprega a infusão concentrada de flores emprega-se sob a forma de gargarismo, isto no caso de afecções de boca e faringe. Para as inflamações e tumefacções utiliza-se em forma de compressas.

Não existe nada mais maravilhoso que um banho de imersão com flores de sabugueiro.






As bagas de sabugueiro contêm uma elevada quantidade de polifenóis. Essa quantidade pode atingir os 2960 mg/100 g, sendo a maior parte destes antocianinas, cerca de 2400 mg/100 g.

A baga do sabugueiro é ainda uma rica fonte de corantes naturais. Estes são vulgarmente utilizadas para corar alimentos e vinhos. Os corantes a que nos refimos são as antocianinas, um grupo de pigmentos hidrossolúveis existentes nas plantas, sendo estes os responsáveis pela coloração vermelha, azul e púrpura de muitos dos frutos e vegetais.

Estas antocianinas têm excelentes e particulares propriedades terapêuticas pois são elas que estimulam o sistema imonulógico humano, aumentando da produção dos linfócitos.

Estas células sanguíneas são as que têm com função combater os agentes patogénicos. Elas têm também uma importante acção na manutenção das paredes das pequenas artérias, contribuindo assim para a redução de problemas circulatórios.


MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE SALZEDAS

Nas margens do rio Torno ou Galhosa encontramos uma das jóias cistercienses do Norte de Portugal, a Abadia de Santa Maria de Salceta. Edifício de raiz românica, assistiu a obras góticas, renascentistas, maneiristas, barrocas e neoclássicas, deixando ao visitante um sedutor emaranhado de estilos. 
Aproveitando, possivelmente um templo alti-medieval, os monges beneditinos constroem no início do século XII, a igreja primitiva de Salzedas. No ano de 1163, D. Afonso Henriques doa o Couto de Algeriz (depois chamado de Salzedas) a D. Teresa Afonso, viúva de Egas Moniz, para que esta o oferecesse aos cenobitas de Salzedas, dando, deste modo, início ao território do mosteiro tarouquense. Mais tarde, em 1196, a comunidade religiosa coloca-se sob a alçada dos monges de Cister e, no primeiro quartel do século XIII, assiste à conclusão e a sagração da igreja acontece no ano de 1225..
Ao entrarmos em Salzedas, embarcamos numa viagem pela história. Junto à recepção (A), a primitiva Farmácia (B) com tecto em caixotões e pintados com as ervas profilácticas. Após passarmos a recepção, entramos no claustro datado dos finais do século XVI (2), arquitectonicamente diferente dessa centúria, com arcos de volta inteira, assentes em colunas de fuste liso. 
Continuando a nossa jornada entramos no claustro Seiscentista de abóbadas de ogiva (4), vemos a galeria superior fechada, com janelas encimadas por frontão triangular. Ao percorrermos as alas descobrimos o azulejo do século XVIII e acabamos por entrar na Sala do Capítulo, de planta quadrangular e abóbada de nervuras, revestida por silhares de azulejo padrão, com excelente acústica. 
Continuamos até ao corredor de acesso à sacristia (10), nas paredes revestidas a azulejo temos mais um momento mágico, e logo a entrada para a hospedaria (6) que dava guarida aos peregrinos de Santiago. A sacristia de tecto abobadado (11) com ogivas apoiadas em duas colunas de estilo mudajar, tem um arcaz e contador e ao longo das alçadas cenas pintadas em quadros da vida de S. Bento e S. Bernardo.
    Deixando a sacristia entramos na capela- -mor e no corpo da igreja do mosteiro. Desde logo, compreendemos a espacialidade cisterciense e a dimensão teológica da luz, como símbolo da vitalidade e glória de Deus. 
A capela-mor apresenta em cada alçada três grandes janelas, encimadas por concheado e cornija contracurvada, atribuindo ao espaço uma intensa luminosidade. Observamos, logo, o cadeiral em pau-santo (14), onde os frades assistiam à Eucaristia. O altar-mor (13) é em talha de pau-santo marmoreada, ladeado por dois anjos tocheiros que iluminam o Santíssimo Sacramento.
    Partindo da cabeceira entramos no transepto (19) cuja estrutura medievalera de quatro absidíolos. Hoje, apenas no lado Norte encontramos um intacto (17), com arco em ogiva e profusamente siglado. Dos restantes ficaram-nos vestígios. As reformas dos Sécs. XVI, XVII e XVIII, destruíram a ábside e os absidíolos centrais e transformaram a igreja. Ainda no lado Norte, encontramos a porta dos mortos (20), entaipada, que dava acesso ao antigo cemitério e uma escada em caracol do Séc. XII (21).
    Embarcamos na nave central, dividida em cinco tramos, definidos por arcos torais. A pleno centro, tem uma abóbada de arestas. Na nave central podemos admirar o coro-alto, assente em arco em asa de cesto, sendo marcado por moldura de cantaria contracurvada e protegido por guarda de madeira. A igreja é constituída por três naves escalonadas e comunicantes, nas laterais contemplam-se vários altares (22), onde se destaca um do período barroco (23) do lado Norte, junto ao pórtico.
    Debaixo do coro-alto encontramos uma cripta, com vários túmulos e a pia baptismal (25). Dos túmulos salientamos o de D. Teresa Afonso (24) e os dos "Coutinhos Gomes" Marialva (26).
    Abandonando o espaço interior encontramos o pórtico (27) e, já no adro da igreja (28) admiramos a fachada. Esta apresenta-se inacabada, de estilo barroco e neoclássico, composta por três corpos separados por pilastras e com alçado de dois níveis. No corpo central, um óculo polilobado e os laterais ovais. As suas torres de lindos coruchéus e minaretes nunca chegaram a concluir-se, ficando incompletas, devido às convulsões que as invasões napoleónicas espalharam no país.
    Ao finalizar a viagem, no exterior apreciamos a magnificência do templo, na imponente fachada que avistamos lá longe. Quem não gosta do Bairro Medieval (28) nas suas estreitas vielas, na sobreposição de andares construídos no tabique tão usual noutros tempos nesta região (Palha, Madeira e o Barro)?
    Olhando em pormenor reparamos nos postigos de vigia, nas portas de entrada e provavelmente, mais tarde de comércio. Aqui vivia gente simples, os "micheiros" que à sombra do Mosteiro íam vivendo as suas vidas e o seu dia-a-dia, aprendendo o amanho das terras e vivendo a sua fé.
    Descobrimos assim o encanto deste tesouro da arquitectura cisterciense e compreendemos a necessidade de preservar as nossas memórias colectivas. Isto, se pretendemos viver para além das trevas.



EREMITÉRIO DA SALZEDA

        
A penumbra que envolve os primeiros tempos da nossa nacionalidade adensa-se à volta da história da fundação do mosteiro de Salzedas, à qual andam ligados os nomes de D. Teresa Afonso, D. Dinis e ainda outros reis, sobretudo da primeira disnatia.
         Debruçaram-se sobre o problema, ao longo dos anos, entre outros, Rocha, Brito, Fr. Baltasar dos Reis, Viterbo, e Leite de Vasconcelos, o filho mais ilustre de Ucanha, o abade Moreira, que muito honrou o actual conselho de Tarouca, Almeida Fernandes, Manuel Gonçalves da Costa, etc., mais recentemente.
         Não podemos nós confrontar opiniões para deduzir razões de quem as tem melhores, nem somos tão ricos de informes, que possamos menosprezar os seus estudos. Pelo contrário, esforçamo-nos por destacar a dificuldade, se não a impossibilidade, de fazer incidir sobre a fundação do mosteiro um feixe de luz que nos deixe sem duvidas a tal respeito, coligindo, para o efeito, tudo quanto nos autores acima referidos nos possa servir.
         Salzeda era um lugar onde hoje é a Abadia Velha, distante da Salzedas cerca de 1500 metros, na confluência dos rios Varosa e Torno, hoje Galhosa ou ribeiro de Salzedas, em cuja encosta havia eremitério dos eremitas de Santo Eremitas, de Fr. A. da Purificação, tal eremitério era posterior à reedificação do de Santa Marinha, no ano 888.
         Nessa época, Afonso III, filho de Ordonho I, chefe dos cristãos das Asturias e Galiza, preseguia os serracenos, empurrando-os para o sul, voltando estes, em correrias, a assolar os seus territórios, ao norte. Não custa acreditar que esse eremitério fosse consequência do repovoamento que se segui à reconquista de 887, neste região ao sul do Douro.
         No testamento de Flámula, sobrinha de Mumadona, lavrado em 960, escreve L de Vasconcelos (MMB), fez aquela senhora vários legados ao mosteiro de Saliceta é tradução de Salzeda, continua o mesmo autor, pois D Flámula possuía, não longe de Salzedas, a vila ou Quinta de Lalim e daí lhe adviria a devoção que mostrou com os frades.
         Almeida Fernandes, porém, refuta a afirmação do autor das Memórias de Mondim, dizendo que o mosteiro de Saliceta era « el de salceda em que vivia D. Aragunta» e que existia cerca de Tui.
         Fr. Baltasar dos Reis cita, no entanto, a propósito da origem remota de Salzedas, a data de 1057, fundado num obituário do mosteiro, onde consta como benfeitora D. Sancha Vasques Gotmão.
         Sem podermos contestar o valor de tal documento, não temos razões para duvidar que, desde o séc. X, o eremitério dos eremitas de Santo Agostinho tivesse vida naquele ambiente de « clausura em que o encerram altas montanhas de todas as partes».
         É possivel Também que já nessa altura, ou pouco depois, existisse, mais a leste, a vila de Argeriz com a sua igreja ( S. Salvador de Argeriz), junto da qual existia outra, a de S. Pedro de Argeriz ( não muito longe, talvez, da actual eremida de S. Pedro, em Salzedas), que em 1123 pertenciam a um presbítero chamado Elias.
         Do eremitério de Salceda ou Salzeda, assim chamado por rezão dos muitos salgueiros que enste sittio avia (Fr. Baltazar dos Reis), nada ou mui pouco existe, apesar de haver-se mantido activo nesse local o fervor religioso até ao ano de 1460, segundo aquele autor.
         Espalhadas pela encista que da estrada cai sobre o Varosa, lá ao fundo, algumas pedras sigladas em muros de suporte, transplantadas outras para o chão de uma capelinha existente ao começar a ladeira, uma fonte antiquíssima, onde a água límpida se via nascer através das juntas do lajeado (por certo, a fonte de Salzeda a que se referem documentos do séc. XII), pedras de supulturas expostas nos socalcos, é tudo o que hoje se vê do antigo eremitério ou do mosteiro descobertos da igreja, a que adiante se fará referência, do primeiro mosteiro.
         Em baixo, entre salgueirais, o Varosa casa-se com o Torno, e, juntos apertados nas penedias sobranceiras, descem para Vila pouca.
         Qual terá sido a vida desse eremitério?
         Não sabemos. Julga-se que ele teria sido reformado, dando origem ao mosteiro, embora modesto, que nesse sitio se levantou.



Abadia Velha de Salzedas


Frei Baltazar dos Reis, cronista cisterciense do século XVII, legou-nos uma série de apontamentos, com base em recolhas documentais, sobre a história da comunidade de Salzedas, no concelho de Tarouca. Na sua opinião ter-se-iam instalado na área da atual freguesia, num mesmo tempo e coexistindo até finais da Idade Média, duas comunidades da ordem de Cister. A primeira, junto ao Varosa, denominada Santa Maria de Salzedas, teria antecedido a segunda e ficaria a ser conhecida, depois do seu abandono, por Nossa Senhora da Abadia Velha. 

A outra, erguida a pouca distância, a Abadia Nova de Argeriz, jaz sob os alicerces do atual convento de Salzedas. Esta narração viria a suscitar grande polémica entre os investigadores pois a regra de S. Bernardo impedia a fundação de abadias da ordem a menos de oito léguas entre elas. Erro ou confusão do cronista, este registo veio de novo à discussão, quando em 1969, na atual quinta da Abadia Velha, situada a pouca distância de Salzedas, numa baixa fértil e aplanada, circundada de montes, apareceram os alicerces de um edifício construído em grandes silhares siglados.
O interesse demonstrado pelo arqueólogo Manuel Real, e a atenção que dispensou a este tipo de vestígios arqueológicos medievais que, na altura, não eram merecedores de investigação por parte dos arqueólogos ou dos historiadores portugueses, vir-se-ia a revelar da maior importância como ficou demonstrado com a comunicação ao III Congresso Nacional de Arqueologia, em 1973.
O autor apresenta uma planta da abadia, uma descrição pormenorizada dos edifícios anexos, a identificação da oficina e ainda uma referência cronológica da maior importância. A igreja seria composta por três naves, transepto saliente e os pilares assimétricos na base. 

O remate da cabeceira é constituído por três absides retangulares escalonadas. No ângulo sudeste do transepto uma escada em caracol daria acesso a um campanário ou a um segundo piso. No mesmo local, mas rasgada na parede sul, uma porta daria acesso ao claustro, que nunca foi posto a descoberto.
Esta abadia teria sido fundada no terceiro quartel do século XII, a 20 de janeiro de 1168 e manter-se-ia ocupada até, pelo menos, os finais da Idade Média.


GASTRONOMIA

BAZULAQUE

Ingredientes
·         10 litros de leite
·         2 colheres de sopa de margarina
·         Sal

Modo de Preparo
1. Colocar os 10 litros de leite em uma panela grande e após colocar, tampar a panela e deixar de um dia para o outro
2. Após esse tempo, tire a tampa observe que há uma massa em cima e o soro em baixo
3. Tire com uma colher de sopa a natinha que fica por cima da massa, coloque em uma xícara, pode com essa natinha fazer manteiga
4. Pegue a massa com um pouco de soro, coloque em uma panela limpa e leve ao fogo aproximadamente uns 5 minutos, retire do fogo, escorra a massa em um escorredor
5. Pegue a massa e coloque em um pano, esprema até escorrer totalmente o soro, se possível espremer com a mão
6. Depois de espremida, colocar a a massa em outra panela limpa, colocar dentro da panela 2 colheres de sopa de margarina, e umas pintdas de sal
7. Levar ao fogo, derreter a margarina e mexer, quando estiver bem solto, ja está pronto

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